domingo, 19 de setembro de 2010

FOREVER YOUNG, I wanna be forever young

Essa semana me deparei com várias referências à juventude. Na realidade, elas estão por aí soltas sempre, eu que nunca pensava muito nisso, sobre ser jovem e ficar velho.  Um amigo me falando da vontade de ter vivido a adolescência de forma diferente, outro  dizendo que começou a trabalhar aos 8 anos de idade, uma amiga dizendo que se arrepende do que fez quando jovem e lá na escola onde estou rodeada de crianças e adolescentes a todo momento. Daí, hoje abrindo o facebook me deparei com este clipe que uma amiga postou. Já havia ouvido a música, mas não tinha visto o clipe.  É legal. Gostei.

Daí fiquei pensando no que seria ser velho. A juventude tem suas vantagens óbvias e inegáveis: saúde, beleza e vigor. Quais seriam as vantagens de envelhecer? A experiência? A sabedoria? Não sei. Mas acho que para manter qualquer aspecto jovem em nós é preciso nunca ter certeza e jamais achar a verdade completa.  Na vida a gente aprende e quando você já tem certeza de tudo e já sabe tudo, não há mais razão em viver. A mudança é que nos move para a eternidade.

Cultura Inútil

Adoro a criatividade dos alunos, mesmo que na maioria das vezes é para o  meu próprio mal…
Navegando pelo orkut achei a seguinte comunidade:

PQ Professor é tão carente???

Quem nunca ouviu as famosas frases desse pessoal que é tão carente??
Exemplo : Olha pra mim!
Presta atenção Aqui!!
Vc não consegue olhar pra mim??
Para de durmi e olha pra cá!!
Eles não fazem de proposito…so sao carentes de atenção!! talvez por isso alguns são tão mau- humorados!!!
HAuHAuAHuAhUAH entra ae e bote mais frases nos topicoss

É … deve ser isso … eu sou carente…!

Sobre paixão/amor/romance/chame do que quiser

“Você está apaixonada?”, ela pergunta. “Sempre”, eu respondo.

Quando penso sobre paixão,  (o amor, o romantismo, esta coisa que tem vários nomes e que tira os seus pés do chão), penso  como algo que não necessariamente esta relacionada a ter ou não alguém.  Esta paixão que sinto é em relação a vida e não acaba, mesmo estando “só”.

Uma música que me deixa apaixonadíssima é esta do “The Police”, “every breath you take”.  A primeira vez que vi o clipe eu tinha uns 14 anos, me apaixonei e até hoje fico toda boba.

O cenário preto e branco, aquela luz vinda do fundo da janela, o violoncelo, a música, a letra…  Talvez seja uma paixão à arte. Aliás, a arte tem disso, de deixar a gente assim.  Tá bom vai, confesso! Além de tudo isso também  tenho ultimamente  prestado mais atenção à essas caras masculinas pálidas e de olhos claros…

Sobre a morte (2)

Esta semana minha família perdeu mais um membro. Irmão do meu pai. A família por parte de pai nunca foi muito unida, tenho primos e tios que nem conheço ou lembro o nome. Mas lembro e conhecia o tio Zé.

Faleceu com 65 anos. Nunca foi um homem muito carismático, foi ficando velho e cada vez mais carrancudo. Essa é a característica que mais me recordo dele. Bom, não posso falar muito de sua personalidade já que nem o conhecia a fundo. Mas foi muito estranho e triste ver as mudanças físicas que ocorreram por mais ou meneos 1 ano. Ele era um senhor alto, calvo, cara muito branca e gorda. Ficava rosado à toa. Os olhos miúdos e azuis como os da minha avó. A doença começou a se manifestar, foi diminuindo, diminuindo, diminuido. A última vez o que o vi ele parecia uma criança velha. Tão frágil, tão pequeno naquela cadeira de rodas. Era óbvia o sentimento de fragilidade naquele homem-menino. Ele me lembrou o passarinho morto da semana passada. Caberia na palma da mão de qualquer um. Creio que ele está bem agora, acolhedio pelo útero da mãe terra.

Quando escrevi o post anterior sobre o Sabiá morto lembrei deste poema de Manuel Bandeira. Coloco agora, para o Sabiá e para o tio Zé.
Minha grande ternura
Pelos passarinhos mortos;
Pelas pequeninas aranhas.
Minha grande ternura
Pelas mulheres que foram meninas bonitas
E ficaram mulheres feias;
Pelas mulheres que foram desejáveis
E deixaram de o ser.
Pelas mulheres que me amaram
E que eu não pude amar.
Minha grande ternura
Pelos poemas que
Não consegui realizar.
Minha grande ternura
Pelas amadas que
Envelheceram sem maldade.
Minha grande ternura
Pelas gotas de orvalho que
São o único enfeite de um túmulo.
Manuel Bandeira

Sobre a morte

Poucas vezes na minha vida me deparei de verdade com a morte de alguém que amava. Na verdade, isso aconteceu uma única vez. Mas cito isso apenas por que lembrei desta pessoa hoje e por que me vi realmente frágil diante da morte, ainda mais por se tratar de uma morte tão banal. Explico já.

Fui dar uma aula na USP. Cheguei mais cedo, bem mais cedo. Sempre gosto de chegar cedo. Comprei meu almoço, os corredores estavam vazios e sentei num confortável banco de madeira. De costas para o movimento e de frente para a janela que estava entreaberta. De vez enquando se ouvia alguém passar, nada mais. De repente BOOM! Quando olho vejo um sabiá adulto tremendo no chão. Largo as coisas e vou ver como está o bichinho. Ele encolhe as patinhas, abre o bico alguma vezes, pende a cabeça e morre.
Ele tinha morrido naquele momento, mas eu queria crer que não. Peguei na mão, olhei em volta como que procurando alguém que pudesse nos acudir. Uma mulher olha pra mim. Eu digo: “acho que ele desmaiou com a pancada”, ela respondeu: “judiação… ” e continuou seu caminho. Fui até os guardas na entrado do prédio. Uma funcionária disse para eu ver se o coraçãozinho do Sabiá ainda estava batendo. Eu não consgeuia sentir e nem ela. O guarda disse par eu jogar água na cabeça dele. Fui até o banheiro. Gastei uns minutos lá e o passarinho continuava mole. Abria as asas dele. Penas muito lindas e macias. Um corpinho toda macio, frágil.  Era tão lindo até  você olhar aqueles olhinhos estatelados! Dava até medo.  Disse ao guarda que o deixaria num canto, na grama e que  ele observasse, se o bichinho não se mexesse mais, que o guarda jogasse terra em cima dele para não feder.

Fui dar minha aula.

Duas horas depois passei por lá, acrediatava que o encontraria reanimado. Mas ele ainda estava jogado.
Eu não consigo me acostumar com a idéia da morte.

Ele não sabe, mas me fez uma pessoa melhor

Sábado eu estava voltando para casa depois de um dia cheio de surpresas peculiares que seriam assunto para outro post. Sem comparar surpresas, vou descrever aquela que interessa a todos.
Como eu dizia, estava voltando para casa num ônibus intermunicipal quando este parou num farol, ao lado do Carrefour, perto do parque Villa Lobos. Olhei pela janela e vi um rapaz (20 e poucos anos) e um senhor, provavelmente morador de rua. O senhor estava em pé, era negro, barba grande, muito sujo, usava muletas. Estava em pé e ao seu lado repousavam seus sapatos muito velhos e cheio de buracos. Pés sujos, calejados… O rapaz agaichava na frente deste homem. Carregava uma sacola grande cheia de sapatos e colocava um par de tênis “rainha” naquele senhor. O jovem parecia um vendedor de loja de sapatos. Sabe aqueles que vem nos servir e sujar suas mãos com o cheiro de nossos pés ao nos ajudar? Eles são pagos pra isso e imagino os comentários que devem sair entre eles falando de nossos pés…. O fato é que me deparei com esta cena. O rapaz com esforço colocava o novo par de tênis nos pés daquele senhor. Me lembrou a cena bíblica de Jesus lavando os pés dos apóstolos. Nada esta mais perto do pó da terra que nossos pés, o que dizer então dos pés de um de  um morador de rua que já se confundiu com a terra e com tudo que descartamos?
Ao terminar, o senhor deu um abraço muito alegre no rapaz que não gargalhava como este, apenas sorria. Sorria e de relance me olhou e percebeu que estava sendo observado. O sinal abriu e segui meu caminho, mais humana.

sexo frágil

Quando eu era criança meu pai era o meu herói. Clichê, eu sei! Mas é verdade. Com o passar do tempo eu vi que ele não era nenhum super-homem. Eu o vi chorando algumas vezes, preocupado, tímido,com medo. O tempo vai passando e é mais comum ver estas características. Hoje em dia o ajudo em muitas coisas, antes era sempre ele quem me ajudava. Fico imaginando como será daqui alguns anos. Ele já tem 60.
Quando vejo homens mostrando fragilidade minha doçura por eles aumenta. Não pela fragilidade em si, mas por que dói  muito mais ver um leão machucado do que um gatinho miando por leite.
Guerreiro menino - Fagner

a razão do nome

Havia muitas idéias na cabeça.
Muitos projetos.
Vender meias ou livros...
Os livros ficariam num sebo chamado "Pó de letrinhas".

O sebo não deu certo, então fiz um blog.